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As primeiras informações sobre a nova versão de Caça-Fantasmas não repercutiram bem na internet. Implacáveis como sempre, os comentaristas de plantão não perdoaram o fato de ser uma nova versão de uma franquia clássica sem os personagens originais, estrelada por quatro mulheres e dirigida por Paul Feig -- este, por sua vez, um especialista em comédias com atrizes protagonistas. O trailer tornou-se (injustamente, diga-se de passagem) o vídeo promocional com mais "dislikes" da história do YouTube. Era mesmo o caso?



TRAILER OFICIAL:



Como bem sabemos, uma das práticas mais triviais da sociedade virtual é o julgamento antecipado. Se não gostamos de algo, não nos seguramos e extravasamos em alto e bom som nas redes sociais e nas caixas de comentários de blogs, vídeos e portais. "Não vi, não gostei e nem vou gostar" tornou-se uma filosofia de vida para muitos, e no caso, de Caça-Fantasmas, esse desgosto foi revelado com doses avantajadas de ódio e palavrões. Não foi só o fato de o filme ser estrelado por garotas e supostamente contrariar a tradição da franquia Ghostbusters; houve quem (e não foram poucos) enxergasse uma conspiração feminista por trás do novo Caça-Fantasmas.
Parecia difícil entrar na sala de cinema sem se deixar influenciar pelas opiniões prévias negativas. A verdade é que, em meio a tantos polegares para baixo, ainda havia quem quisesse gostar do filme. Para esses, a boa notícia é que Caça-Fantasmas é um programa que vale as duas horas de seu tempo e o alto preço do ingresso. Também é verdade que quem estava pronto para detestá-lo por antecipação dificilmente vai mudar de ideia. Mas não será surpreendente se aqueles dispostos a odiar se deem conta de que não havia motivos para tanto.



As relações entre o novo Caça-Fantasmas e os dois Os Caça-Fantasmas originais (de 1984 e 1989) são mais sutis do que os trailers e a sinopse davam a entender. Ainda são quatro protagonistas -- Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Kate McKinnon e Leslie Jones --, e o cenário principal permanece sendo a bela e maltratada Nova York. A premissa também é semelhante: a metrópole começa a ser tomada por criaturas sobrenaturais sem explicação aparente e alguém precisa ser convocado para resolver a situação. O desenrolar é obviamente previsível, não que alguém esperasse outra coisa. Apesar das diferenças, o quarteto de especialistas se reúne, monta um escritório, contrata um secretário (Chris Hemsworth, à vontade no papel de "bonito e burro"), constrói equipamentos infalíveis e vai à luta. Aprendendo na marra a caçar fantasmas, elas descobrem a raiz do problema enquanto contrariam poderosos e caem nas graças da população. Já vimos esse filme antes -- mas como os tempos são outros, está tudo certo.
O fato de os atores dos filmes originais aparecerem encarnando outros personagens pode ter um motivo subliminar a mais além de ser mero "fan service": deixar claro que o novo Caça-Fantasmas jamais será uma continuação dos filmes dos anos 1980, mesmo que se passe no mesmo universo. Ou seja, a ideia não é ser uma sequência, mas um reboot, ou uma reinterpretação de antigos conceitos para as novas gerações. Nesse caso, o trabalho foi bem feito.
Talvez o principal problema de Caça-Fantasmas esteja na mão pesada de Paul Feig, mais experiente com comédias que pendem para o pastelão -- como Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, com Kristen Wiig) e A Espiã que Sabia de Menos (Spy, com Melissa McCarthy). Mas a impressão que se tem é que Caça-Fantasmas não deveria ser esse tipo de filme. Não são poucas as cenas em que se vê um meio termo entre um besteirol nonsense e uma aventura de Sessão da Tarde, o que denota uma indecisão sobre o lado para qual o filme deveria balançar mais. Os efeitos especiais são bons e os poucos momentos de suspense (existem!) pavimentam o terreno para um filme de ação frenético e bem humorado, mas parece que a obrigação de ser engraçado é prejudicial ao resultado geral. Ao final, tive a sensação de dar menos risadas do que poderia -- e não foi por falta de boas intenções por parte do elenco e do roteiro.
Com tantas condenações antecipadas, Caça-Fantasmas tinha pela frente as missões quase impossíveis de converter e transformar ódio em amor -- afinal, como agradar quem já está disposto a detestar? Felizmente, o filme escolheu um caminho mais suave e positivo. Mais do que se prestar a calar críticos ou reforçar crenças, Caça-Fantasmas se concentra em desenvolver uma história de amizade e companheirismo com personagens fortes e adoráveis. Apesar dos tropeços técnicos, o objetivo maior foi alcançado. E para quem não gostou, é bom se preparar: uma sequência deve estar a caminho.
O VEREDICTO
Caça-Fantasmas se arrisca ao subverter uma franquia clássica, mas fez isso com um espírito positivo e democrático, feito para agradar todo tipo de público -- até o mais conservador e apegado a detalhes. Apesar de forçar a mão nas piadas e nem sempre se decidir que tipo de filme quer ser, o resultado é muito melhor do que as críticas antecipadas poderiam prever.

CAÇA-FANTASMAS 2016 VALE A PENA ASSISTIR? TRAILER | INFORMAÇÕES | IMAGENS

As primeiras informações sobre a nova versão de Caça-Fantasmas não repercutiram bem na internet. Implacáveis como sempre, os comentaristas de plantão não perdoaram o fato de ser uma nova versão de uma franquia clássica sem os personagens originais, estrelada por quatro mulheres e dirigida por Paul Feig -- este, por sua vez, um especialista em comédias com atrizes protagonistas. O trailer tornou-se (injustamente, diga-se de passagem) o vídeo promocional com mais "dislikes" da história do YouTube. Era mesmo o caso?



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Como bem sabemos, uma das práticas mais triviais da sociedade virtual é o julgamento antecipado. Se não gostamos de algo, não nos seguramos e extravasamos em alto e bom som nas redes sociais e nas caixas de comentários de blogs, vídeos e portais. "Não vi, não gostei e nem vou gostar" tornou-se uma filosofia de vida para muitos, e no caso, de Caça-Fantasmas, esse desgosto foi revelado com doses avantajadas de ódio e palavrões. Não foi só o fato de o filme ser estrelado por garotas e supostamente contrariar a tradição da franquia Ghostbusters; houve quem (e não foram poucos) enxergasse uma conspiração feminista por trás do novo Caça-Fantasmas.
Parecia difícil entrar na sala de cinema sem se deixar influenciar pelas opiniões prévias negativas. A verdade é que, em meio a tantos polegares para baixo, ainda havia quem quisesse gostar do filme. Para esses, a boa notícia é que Caça-Fantasmas é um programa que vale as duas horas de seu tempo e o alto preço do ingresso. Também é verdade que quem estava pronto para detestá-lo por antecipação dificilmente vai mudar de ideia. Mas não será surpreendente se aqueles dispostos a odiar se deem conta de que não havia motivos para tanto.



As relações entre o novo Caça-Fantasmas e os dois Os Caça-Fantasmas originais (de 1984 e 1989) são mais sutis do que os trailers e a sinopse davam a entender. Ainda são quatro protagonistas -- Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Kate McKinnon e Leslie Jones --, e o cenário principal permanece sendo a bela e maltratada Nova York. A premissa também é semelhante: a metrópole começa a ser tomada por criaturas sobrenaturais sem explicação aparente e alguém precisa ser convocado para resolver a situação. O desenrolar é obviamente previsível, não que alguém esperasse outra coisa. Apesar das diferenças, o quarteto de especialistas se reúne, monta um escritório, contrata um secretário (Chris Hemsworth, à vontade no papel de "bonito e burro"), constrói equipamentos infalíveis e vai à luta. Aprendendo na marra a caçar fantasmas, elas descobrem a raiz do problema enquanto contrariam poderosos e caem nas graças da população. Já vimos esse filme antes -- mas como os tempos são outros, está tudo certo.
O fato de os atores dos filmes originais aparecerem encarnando outros personagens pode ter um motivo subliminar a mais além de ser mero "fan service": deixar claro que o novo Caça-Fantasmas jamais será uma continuação dos filmes dos anos 1980, mesmo que se passe no mesmo universo. Ou seja, a ideia não é ser uma sequência, mas um reboot, ou uma reinterpretação de antigos conceitos para as novas gerações. Nesse caso, o trabalho foi bem feito.
Talvez o principal problema de Caça-Fantasmas esteja na mão pesada de Paul Feig, mais experiente com comédias que pendem para o pastelão -- como Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, com Kristen Wiig) e A Espiã que Sabia de Menos (Spy, com Melissa McCarthy). Mas a impressão que se tem é que Caça-Fantasmas não deveria ser esse tipo de filme. Não são poucas as cenas em que se vê um meio termo entre um besteirol nonsense e uma aventura de Sessão da Tarde, o que denota uma indecisão sobre o lado para qual o filme deveria balançar mais. Os efeitos especiais são bons e os poucos momentos de suspense (existem!) pavimentam o terreno para um filme de ação frenético e bem humorado, mas parece que a obrigação de ser engraçado é prejudicial ao resultado geral. Ao final, tive a sensação de dar menos risadas do que poderia -- e não foi por falta de boas intenções por parte do elenco e do roteiro.
Com tantas condenações antecipadas, Caça-Fantasmas tinha pela frente as missões quase impossíveis de converter e transformar ódio em amor -- afinal, como agradar quem já está disposto a detestar? Felizmente, o filme escolheu um caminho mais suave e positivo. Mais do que se prestar a calar críticos ou reforçar crenças, Caça-Fantasmas se concentra em desenvolver uma história de amizade e companheirismo com personagens fortes e adoráveis. Apesar dos tropeços técnicos, o objetivo maior foi alcançado. E para quem não gostou, é bom se preparar: uma sequência deve estar a caminho.
O VEREDICTO
Caça-Fantasmas se arrisca ao subverter uma franquia clássica, mas fez isso com um espírito positivo e democrático, feito para agradar todo tipo de público -- até o mais conservador e apegado a detalhes. Apesar de forçar a mão nas piadas e nem sempre se decidir que tipo de filme quer ser, o resultado é muito melhor do que as críticas antecipadas poderiam prever.

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